Reconstruindo a história de qualquer família, por pequena e modesta que seja, estamos ajudando
a reconstruir, sem nenhuma dúvida, a história dessa grande família chamada Humanidade.
 H   *   
Angelim, agreste de Pernnambuco, 1920.

:: O início
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:: A "Guerra de Doze"
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:: A pesquisa
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:: Aparecem as origens
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:: Descendência de Theotonio da Santa
Cruz Oliveira

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:: Descendência de Pedro Quirino Ferreira/Inez Santa Cruz Ferreira
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ANEXOS
:: Descendência de Fausto Salgado de Azevedo
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:: Theotonio da Santa Cruz Oliveira e seus homônimos
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:: Fotos
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:: Homenagem
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:: Agradecimentos
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:: Sobre a autora
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:: O início

Uma das coisas que eu mais gostava no meu tempo de menina era de ouvir as histórias contadas sobre o tempo em que Mamãe era jovem, era criança, e morava na fazenda. A fazenda ora era a Broca, em Angelim, no Agreste de Pernambuco, pertinho de Garanhuns, ora era Boqueirão, em Caraúbas, no Cariri paraibano.

As histórias, as personagens, excitavam minha curiosidade e me lembro de que queria muito saber quem eram essas pessoas de quem Mamãe falava. Nas noites sem televisão da minha infância, o mundo ia sendo explicado, traduzido, decodificado: parentesco, costumes, tradições, rituais, normas de estar no mundo, no mundo da cidade, em que eu morava, em Campina Grande, na Paraíba, mas sob o código sertanejo-caririzeiro de Mamãe, que tinha suas raízes profundamente plantadas no caldo cultural daquelas regiões.

Na adolescência, lendo os livros que havia em casa, e eram muitos, casualmente abri “Pedaços da História da Paraíba”, de Cristino Pimentel (Campina Grande, 1953). Folheando suas grossas páginas, um nome me chamou a atenção: Santa Cruz. O livro referia-se ao Dr. Augusto Santa Cruz, um advogado, e falava de uma briga desse homem com os poderosos da terra, sendo ele próprio também um rico e poderoso fazendeiro.

Eu não entendi a história direito, mas ele tinha o mesmo sobrenome que eu: Santa Cruz. Perguntei logo a Mamãe se aquele homem era nosso parente. Ela respondeu que era primo, primo da mãe dela. Então é parente meu também, pensei, e fiquei me sentindo importante porque um parente meu tinha sua história contada num livro. Mas a curiosidade continuava. Primo da minha avó como? Se ele era primo da minha avó, devia ser filho de um irmão ou irmã do meu bisavô. Mas como era mesmo o nome do meu bisavô? Eu não sabia. Minha avó Inez , mãe de Mamãe, tinha mais de dez filhos e eu sabia o nome de todos os meus tios e primos, que eram muitos. Do lado de Papai havia menos gente, mas eu também sabia o nome de todos. Mas dos antigos não.

Essa curiosidade ficou comigo ao longo dos anos, mas a vida precisava seguir seu curso, e eu tinha que estudar, trabalhar, dar aulas, criar os filhos, fazer teatro, escrever, pesquisar, viver. As perguntas, porém, continuam, latentes. Por que Santa Cruz? De onde vinha esse sobrenome? Qual o parentesco que tínhamos com esse Augusto Santa Cruz? A ser real esse parentesco, quem seria esse ancestral comum a mim e a esse personagem, que eu conhecia apenas dos livros? Que tronco familiar seria esse, do qual todos nós seríamos descendentes?

Então, uma vez, no final dos anos 1980, indo nas férias a Campina Grande – porque então eu já morava em Natal – resolvi perguntar à minha tia Adiza, que morava com meus pais em Campina Grande, sobre essas histórias. Coisas desse tipo: como era o nome do meu bisavô? E da minha bisavó? Eles vieram de onde? E a primeira coisa que minha tia disse me deixou surpresa. Os pais da minha avó, Inez, que seria, segundo Mamãe, prima de Augusto Santa Cruz, chamavam-se Teotônio Salgado de Oliveira Vasconcelos e Antonia Evarista Duarte. Mas... e o Santa Cruz? Onde estava? Vinha de onde? Se não vinha nem do pai nem da mãe, como então aparecia no nome da minha avó, que era Inez Santa Cruz Ferreira? Ferreira do meu avô, do marido dela, Pedro Quirino Ferreira. Mas esse Santa Cruz, vinha de onde?

Tia Adiza explicou então que toda a família era Santa Cruz, pelo sangue; mas alguns tinham o sobrenome, outros não, como o bisavô Teotônio, avô dela, que, por exemplo, não tinha. E foi a Teotônio que o Dr. Augusto Santa Cruz pedira que voltasse a incorporar o sobrenome, com ele batizando seus filhos. Isso porque com os acontecimentos de Alagoa do Monteiro em 1912, dos quais falarei a seguir, os Santa Cruz “estavam muito desprestigiados e era preciso ter mais gente usando o sobrenome para fortalecer o clã”, nas palavras textuais de Dr. Augusto para o seu primo, o meu bisavô Teotônio, e que tia Adiza me repetiu.

Foi então que voltei ao livro de Cristino Pimentel para reler a história da “Guerra de Doze” que eu não havia compreendido na adolescência. Mas o que veio me lançar mesmo nessa aventura de descoberta das minhas origens Santa Cruz foi o espetacular livro de Pedro Nunes Filho “Guerreiro Togado: fatos históricos de Alagoa do Monteiro” (Recife, Ed. Universitária, 1997), que vim a conhecer em 1998.

A seguir, e baseada neste livro, conto um resumo daqueles acontecimentos.

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Cleuza Santa Cruz Quirino "Mamãe"
Angelim - PE
Adiza Santa Cruz Quirino "Tia"
Caraúbas - PB

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