Ésquilo, o maior dos trágicos

Ésquilo (525-456 a.C.) foi primeiro grande autor trágico grego.

Pouco se conhece da sua juventude. Provavelmente cresceu em Elêusis, e é lembrado como ganhador da Dionysia, a maior competição dramática de Atenas, logo depois da sua reorganização em 501 ou 500 a.C. Seu primeiro sucesso no teatro foi em 484 a.C., na idade de 41 anos.

Responsável pela introdução no drama grego da figura do segundo ator, Ésquilo não somente rompeu uma tradição onde só havia lugar para um recitador e o coro, como também propiciou uma variedade de tramas e o diálogo. Ele reduziu o tamanho e o papel do coro, usou efeitos cênicos incomuns e exóticos, e máscaras e figurinos assustadores. Provavelmente atuou na maioria de suas próprias peças, o que era prática comum entre os dramaturgos daquele tempo.

Ésquilo morreu na idade de 69 anos em Gela, na Sicília. Foi cognominado “O Pai da Tragédia”. Depois de sua morte, os atenienses decretaram que seus dramas fossem representados às custas do Estado. Seu túmulo tornou-se lugar de peregrinação e em meados do século IV a. C. sua estátua foi colocada no teatro de Dioniso em Atenas.

Poeta de uma época no qual religião, moral e política ainda se confundiam, e em que as leis primitivas do clã já se chocavam com a consciência humana mais elaborada, Ésquilo reinterpretou os mitos gregos para sancionar a nova ordem social, a lei da pólis, isto é, da cidade, como expressão da cultura mais elaborada.

Das suas mais de oitenta peças, 52 ganharam primeiros prêmios. Somente sete tragédias sobreviveram: a trilogia Oréstia, que inclui Agamemnon, As Coéforas, e As Eumênides; As Suplicantes; Os Persas; Sete Contra Tebas; e Prometeu.

Orestes mata Egisto.

Muito daquilo que é conhecido sobre o herói grego Agamenon é narrado na Ilíada e nos dramas de Ésquilo. Filho de Atreu, Agamenon era o rei de Micenas, e provavelmente foi um personagem real, reinando sobre Micenas e Argos durante o período da guerra de Tróia, que ocorreu cerca de 2.800 a.C. Nas histórias da antiga Grécia, é difícil separar o fato da lenda.

Agamenon era irmão de Menelau, Rei de Esparta, cuja mulher, Helena, foi raptada pelo príncipe Páris, para Tróia, na Ásia menor. Este rapto, considerado insultuoso para os gregos, fez com que todos se unissem contra Tróia, dando origem à famosa guerra, que teria durado dez anos, encerrando-se com a completa destruição da cidade e a vitória dos gregos. Enquanto participava do sítio de Tróia, Agamenon deixou em Micenas sua mulher Clitemnestra. Ao voltar para casa, foi assassinado pela mulher e pelo amante dela, Egisto. Para vingar o pai, Orestes, seu filho, assassina ambos.

A história desta vingança e suas consequências é narrada na famosa trilogia de Ésquilo – Oréstia – que se compõe das peças Agamenon, As Coéforas e As Eumênides.

Em Agamenon, é relatado o assassinato do herói grego por sua mulher e o amante desta.

Em As Coéforas, Orestes, filho de Clitemnestra e Agamenon, vinga o pai, matando os dois criminosos.

Na terceira, As Eumênides, Orestes, atormentado pelas Erínias, (as Fúrias), é julgado e absolvido pelo Areópago, o grande tribunal de Atenas. As Erínias, são transformadas em Eumênides, divindades benéficas, graças à intervenção da deusa Atena.

O julgamento de Orestes representa a vitória da pólis sobre a lei bárbara da vingança, a lei de talião, que leva ao crime e à loucura. Sob a nova ordem social que se instala no século VI a.C. na Grécia, somente ao Estado cabe julgar e punir. A intervenção da deusa Atena é a sanção religiosa do novo direito.

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Adaptado da Enciclopédia Mirador e da Compton’s Interactive Encyclopedia.